Somatização: veja como identificar e tratar os sintomas

Saúde e Bem-Estar -

Você sente dores nas costas após um dia intenso resolvendo problemas no trabalho? Ou dores de cabeça quando fica com raiva ou triste? Podem ser sintomas psicossomáticos - quando as emoções são tão fortes que refletem no corpo. Isso acontece devido a descargas hormonais sempre que temos novas sensações – e em alguns casos, podem até nos deixar doentes.

O psicólogo do Grupo NotreDame Intermédica, André Luis Lopes Zenti, conta que todas as emoções causam mudanças físicas, mesmo que pequenas. “Quando estamos mais ansiosos temos taquicardia e podemos sentir, também, impactos no sistema gastrointestinal”, explica. Embora todas as pessoas possam desenvolver quadros psicossomáticos, algumas estão mais vulneráveis, como quem tem mais ansiedade e não consegue lidar muito bem ou expressar os sentimentos.

O efeito dos sentimentos no corpo

“A forma como nos sentimos pode, muitas vezes, ter um reflexo no aspecto físico. Afinal, ocorre a liberação de diferentes hormônios e substâncias em nosso corpo a depender de nossos sentimentos e emoções. Tudo o que acontece com uma pessoa, sejam alterações emocionais ou mudanças ou dores no corpo, tem repercussões no indivíduo em sua totalidade”, conta o psicólogo. Isso explica por que algumas crianças ficam doentes quando não têm seus desejos atendidos ou o cansaço excessivo que sentimos quando estamos tristes.

Para que nosso organismo funcione, é necessário que haja equilíbrio entre os hormônios – é quando eles são liberados em excesso ou estão em falta que os problemas aparecem. E essa é uma via de mão dupla: as emoções são capazes de balancear as substâncias, mas esses hormônios também influenciam nas emoções. No caso do estresse, o protagonista é o cortisol – muito útil para a sobrevivência em meio ao perigo, mas que pode trazer complicações como dores musculares, queda de cabelo, alterações no sono, aumento das chances de obesidade e, em casos mais graves, infarto do miocárdio.

“A ansiedade também está associada a alterações na liberação e absorção de substâncias e neurotransmissores, e por si só já acarreta sintomas físicos, como taquicardia, suor excessivo e alterações de sono por exemplo”, conta o especialista. Neste caso, a adrenalina é a principal responsável, pois atua diretamente no sistema cardiovascular, aumentando o fluxo sanguíneo e acelerando a respiração. Tudo isso é muito útil para correr do perigo ou para evitar dores na hora do impacto, mas em excesso pode causar problemas digestivos, dores de cabeça e dificuldade para dormir. Isso explica por que perdemos ou ganhamos apetite quando estamos ansiosos.

Principais doenças que vem de feridas emocionais

É impossível criarmos um mapa que indique exatamente qual emoção é a responsável por um sintoma físico ou se ela, realmente, é a culpada – há quem diga que problemas no fígado vêm da raiva contida, mas também pode surgir de fatores genéticos ou má alimentação. No entanto, existem complicações mais comuns que podem ser indícios de doenças psicossomáticas, conta Zenti: “as principais queixas envolvem problemas gastrointestinais, dermatológicos e agravo de doenças já existentes”.

No sistema gastrointestinal pode surgir desde gastrite a úlceras. Já na pele, alergias e quedas de cabelo relacionadas a alterações emocionais são as doenças mais comuns. “É importante, também, ressaltarmos que altos níveis de estresse e ansiedade podem impactar em oscilações de pressão arterial, na percepção aumentada de dores e desconfortos em geral. Por isso é tão importante sempre cuidarmos de nossa saúde mental, para apresentarmos bem-estar psicológico e físico”, aconselha o especialista.

Tratamento médico e psicológico

Como as dores e doenças psicológicas estão inter-relacionadas, é importante ter um olhar integral para a somatização. “O acompanhamento psicológico é fundamental para entendermos quais alterações emocionais estão ocorrendo, como elas se desenvolveram e como podemos tratar as causas emocionais para os sintomas físicos que sentimos. Mas também é necessário ter um atendimento médico para tratar os sintomas. Uma alergia na pele que vem de questões emocionais, como é algo muito aparente, pode deixar a pessoa ainda mais estressada e acabar piorando”, explica o psicólogo.

Antes de qualquer coisa, é importante passar no médico quando houver qualquer sintoma físico, mesmo que relacionado ao estado mental. Desta forma, o especialista analisará o caso e fará o encaminhamento adequado para o psicólogo ou psiquiatra sempre que necessário. Isso é importante para promover um tratamento precoce e evitar que as doenças fiquem avançadas.

Como diminuir a incidência

Encontrar meios de se desligar dos fatores estressantes, aprender a lidar com as emoções e olhar mais para nós mesmos e como nos sentimos são algumas ações que podem ajudar a evitar a somatização. Mas, como isso não é tão fácil como parece, veja algumas dicas que podem ajudar:

Medite
A meditação é uma das melhores formas de aquietar a mente. Para quem não consegue “deixar os pensamentos fluírem”, pode optar por meditações guiadas ou exercícios que exijam mais concentração no presente, como yoga ou pilates.

Pratique exercícios físicos
As atividades físicas são ótimas aliadas da saúde. Além de ajudar o corpo, essa prática também ajuda a mente, pois libera dopamina, que causa bem-estar. Se os exercícios forem feitos no sol, o corpo ainda absorve vitamina D e ajuda no ciclo do sono.

Encontre um hobby
Ter um momento para fazer o que se gosta sem cobranças ou responsabilidade também faz bem para a saúde. Não se culpe por momentos sem produtividade ou por não ser bom em algo. Apenas aproveite e divirta-se.

Escreva o que está sentindo
Verbalizar os sentimentos é a forma que temos para nos conectar com o mundo e tirar um peso de nossas costas. Mas, se você tem dificuldades para se abrir com alguém, despeje tudo em um papel – ou nas notas do celular.

Referências

Fonte: Grupo NotreDame Intermédica com colaboração do psicólogo, André Luis Lopes Zenti, e informações dos sites Tua Saúde e Veja Saúde. – acesso em 20/07/2021

Responsável pelo Conteúdo:
Dr. Rodolfo Pires de Albuquerque
CRM: 40.137
Diretor Médico do Grupo NotreDame Intermédica

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