Segunda opinião médica ajuda a evitar cirurgias desnecessárias na coluna

Saúde e Bem-Estar -

Sentir dores nas costas não é normal, principalmente quando acontece de forma frequente. As dores podem estar ligadas à hérnia de disco, nervo ciático, artrose, desgaste por esforço excessivo, má postura e até pedras nos rins. As dores podem evoluir para casos graves e levar a cirurgias. Patricia Lacombe, fisioterapeuta do Grupo NotreDame Intermédica, explica: “ter dores constantes pode significar uma disfunção. Por isso, é importante procurar um médico para entender a causa daquela dor na coluna ou nas articulações. Hoje, percebemos que nem todo mundo tem essa consciência – as pessoas fazem uso de analgésico e relaxantes musculares por conta própria durante anos antes de procurar ajuda”.

Por mais que não pareça importante no momento – afinal, os medicamentos funcionam como um alívio imediato –, com o passar do tempo, as dores podem chegar a ser incapacitantes e causar sofrimentos físicos e mentais. Os problemas são ainda mais frequentes em idosos. Segundo a ortopedista Liége Mentz Rosano, muitas pessoas acreditam que é normal sentir dor após certa idade. “As pessoas mais idosas costumam ter mais problemas nos ossos e menos massa muscular. Outro problema é a questão do idoso ser muito desacreditado, pois existe aquela cultura de achar que idoso tem de sentir dor. Mas não é normal para ninguém”, esclarece.

Intervenção precoce

Quando o assunto é dor nas costas, a ortopedista ressalta: quanto mais precoce o tratamento, melhor é o resultado. “Às vezes, só uma reeducação postural ou uma orientação do fisioterapeuta resolve e evita que essa dor se instale”, explica.

A fisioterapeuta diz que os processos degenerativos que surgem com o desalinhamento do corpo podem trazer complicações e levar a cirurgias. E faz uma analogia ao funcionamento do carro. “Se tenho uma roda um pouco gasta, vou desgastando aquele pneu cada vez mais, com o tempo, até chegar a um momento em que o carro não andará direito ou vai derrapar. Com o corpo é a mesma coisa: o paciente sente uma dorzinha por anos, que ele consegue administrar tomando remédio. Não liga muito até que, em algum momento, aquilo se transforma numa lesão”.

A especialista conta que é neste instante em que o paciente procura ajuda, mas pode ser tarde demais. “Entre a primeira e a segunda ressonância magnética, leva de um a dois anos para ter uma indicação cirúrgica”.

Quando a segunda opinião médica é necessária?

Ouvir a opinião de mais um especialista é um procedimento adotado em todos os casos em que há indicação cirúrgica e não houve um trauma – ou seja, acidentes e quedas que trouxeram graves lesões à coluna. “Segundo a literatura, apenas 3% das pessoas teriam de fazer cirurgia. Antes de recorrer a um procedimento invasivo, podemos tentar outras abordagens”, explica a Liége. A fisioterapia é a principal saída para a reabilitação, mas ainda é possível utilizar bloqueios anestésicos, entre outros tratamentos minimamente invasivos, que podem ser feitos até mesmo no consultório.

No Grupo NotreDame Intermédica, o protocolo é passar no Centro de Fisioterapia, onde há uma análise mais profunda com ortopedistas e fisioterapeutas para traçar um plano de cuidado, tomando o máximo de atenção para manter o bem-estar e a qualidade de vida do paciente. Se for atestado que o caso já está avançado e é necessária a cirurgia, o paciente será encaminhado a outro especialista; mas se houver chances de melhora sem o uso de bisturi, o paciente passa a fazer parte do programa de tratamento de coluna do GNDI.

Os riscos da cirurgia

Toda cirurgia tem riscos – desde complicações operatórias a sequelas a longo prazo. “Para quem tem hérnia de disco, não é simplesmente tirar essa hérnia e todo o problema é resolvido. Não é como uma pessoa que tinha uma apendicite, que tira o apêndice, e nunca mais tem a doença porque o órgão não existe mais. O caso da coluna é um tratamento contínuo”, explica a ortopedista.

A médica ressalta que podem surgir complicações a curto, médio e longo prazos. “Quando mexemos no disco, acabamos levando a uma degeneração mais precoce. Então, existem consequências do procedimento cirúrgico e o paciente acaba tendo uma lesão na região do disco, da musculatura, dos ligamentos e isso causa uma dor crônica”. Por ser uma região sensível, o tipo de corte também pode trazer danos para a estrutura.

Além disso, existem as complicações que podem ocorrer em qualquer cirurgia, como reações a anestésicos, risco de contaminação e um pós-operatório difícil.

Prevenção

Existem hábitos que ajudam a prevenir dores na coluna, como alongamentos diários e fortalecimento muscular. “Quando tornamos a musculatura forte, protegemos a coluna. Já no caso de cirurgia, se a pessoa tiver uma musculatura preparada, ela terá um pós-operatório muito melhor”, reforça Liége.

Ginástica holística

Com mais de 800 movimentos diferentes e sem o uso de aparelhos, a ginástica holística é ideal para proporcionar o alinhamento correto do corpo e evitar más posturas que causam dores e lesões. Patricia Lacombe é uma das três pessoas no mundo que aplicam e treinam equipes para colocar esse método em prática. “É muito eficaz e traz resultados expressivos na redução de cirurgias por essa capacidade que o método tem de, realmente, tratar a causa do problema, e não somente a dor”, conta a fisioterapeuta. Para casos pós-cirúrgicos com fixadores, a especialista enfatiza que a melhora na movimentação é de até 30% em relação a quem não utilizou o método.

Ela relata que, em muitos casos, os problemas em joelhos, pés e quadris têm influência na hérnia de disco, pois a pessoa começou a se movimentar de um jeito errado por causa da dor, e isso afetou a coluna. Com a ginástica holística é possível tratar o corpo como um todo e focar, não só na coluna, mas também em outras regiões com dores frequentes.

“Se o paciente se dedicar, consegue se livrar da cirurgia, bem como da dor. Sabemos que a pessoa que tem dor todo dia, durante anos, acaba se desesperando e indo para uma cirurgia achando que vai sair do centro cirúrgico e voltar com a vida normal. Mas uma cirurgia não é normal: é como extrair um dente e colocar um implante. Ele está ali, mas não é o seu dente e não vai funcionar da mesma forma”, comenta.

Para dores agudas, cerca de 10 sessões são suficientes; já em casos de dores crônicas, 30 sessões podem ajudar. “Durante o tratamento, ensinamos esses pacientes sobre o processo de remodelação para que ele seja corresponsável pelo tratamento e entenda que aquilo é um processo de qualidade de vida – ou seja, ele precisa levar o tratamento para o cotidiano e realizar os movimentos ensinados sempre. Com isso, ele aprende a trabalhar com mais saúde, com mais disposição, e não carregará aquela dor do dia a dia, para a família dele, nem para parte psicológica – pois sabemos que quem sofre de dor todo dia, também sofre emocionalmente”.

A Unidade especializada em reabilitação conta com uma equipe multidisciplinar formada por fisioterapeutas, fisiatras, ortopedistas, psicólogos e nutricionistas. A proposta é identificar os pacientes que tem chances de evitar cirurgias para levá-los a tratamentos mais conservadores. As consultas são feitas por meio de visitas presenciais ou por telemedicina – sendo assim, é possível que beneficiários de outras cidades se consultem com a equipe.

O Centro de Fisioterapia conta, ainda, com um aplicativo exclusivo para ajudar no tratamento a distância: o FisioClube. Com ele é possível ter acesso a vídeos e ilustrações de movimentos sugeridos pela equipe de fisioterapia e, também, receber um suporte quando tiver dúvidas.

Referências

Fonte: Grupo NotreDame Intermédica com a colaboração da fisioterapeuta, Patricia Lacombe, e da ortopedista, Liége Mentz Rosano.

Responsável pelo Conteúdo:
Dr. Rodolfo Pires de Albuquerque
CRM: 40.137
Diretor Médico do Grupo NotreDame Intermédica

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