Confira por que a vitamina D é tão importante para o nosso organismo

Saúde e Bem-Estar -

Você sabia que o que conhecemos como vitamina D é, na verdade, um complexo de hormônios esteroides – e que, curiosamente, de acordo com alguns autores, é tão antigo quanto a própria vida?

Rosemary Neves Assis, nutricionista do Grupo NotreDame Intermédica, conta que a vitamina D teve a descoberta no início da Era Moderna (por volta de 1450), quando alguns cientistas da época começaram a observar que pessoas acometidas por reumatismo e raquitismo melhoravam sua condição clínica quando suplementadas com óleo de fígado de bacalhau. Posteriormente, também se descobriu que pessoas expostas à luz solar tinham melhor qualidade de vida. No entanto, a vitamina D só foi consolidada e batizada com esse nome em 1930.

Hoje, as vitaminas D mais conhecidas são a D2 (ou ergocalciferol) e D3 (ou colecalciferol). “Este importante nutriente é responsável pela regulação de mais de 80 funções do metabolismo e pela prevenção e tratamento de várias doenças, como raquitismo, osteomalácia, osteoporose, depressão, síndrome metabólica, problemas cardiovasculares, diabetes e modulação do sistema imunológico”, descreve Rosemary.

Atuação da vitamina D

A vitamina D atua nas células e membranas dos órgãos-alvo (por exemplo, tireoide, medula, coração e fígado), ligando-se a receptores específicos para desempenhar suas funções. Para isso, é necessário que tanto a D2 quanto a D3 sejam convertidas por meio de vários processos bioquímicos, em 1,25-OHD, que é a forma ativa da vitamina D.

Fontes naturais

As principais fontes alimentares de vitamina D são os peixes de águas frias e profundas, como salmão, sardinha e atum, além de fígado de boi, gema de ovo e os leites e seus derivados. “No entanto, a quantidade de vitamina D ofertada por estes alimentos não é suficiente para suprir nossas necessidades. Por isso, é tão importante seguir a recomendação do banho de sol, pois o corpo é capaz de sintetizar de 80% a 90% das necessidades diárias desse nutriente quando exposto à luz solar”, explica a nutricionista do GNDI.

Dessa forma, a orientação é uma exposição solar diária de 15 a 20 minutos, principalmente das partes internas de braços, antebraços e coxas, no período entre 10h e 15h, sem o uso de filtros solares. Isso porque esses produtos inibem a penetração dos raios UVB na pele, impossibilitando o processo de sintetização, ou seja, impedindo que os raios convertam o 7-deidrocolesterol em vitamina D.

Rosemary ressalta que não se pode confundir o banho de sol de objetivo terapêutico com as exposições excessivas com a finalidade de bronzeamento, que pode trazer prejuízos à saúde. Além disso, pessoas que apresentam tonalidade de pele muito clara ou muito escura podem necessitar de mais tempo de exposição ao sol.

Indicadores de falta ou excesso de vitamina D

A deficiência ou a hipovitaminose pode acarretar fraqueza; dores em ossos, articulações e músculos; fadiga; e enfraquecimento de unhas e dentes. Também existem casos assintomáticos, ou seja, em que a pessoa está com falta de vitamina D, mas não apresenta sintomas.

O excesso ou hipervitaminose provoca toxicidade, desequilibra o metabolismo do cálcio e fósforo, sobrecarrega o intestino e aumenta a reabsorção renal e óssea, levando à hipercalcemia, que pode calcificar tecidos moles e levar ao óbito. Os sintomas de excesso de vitamina D são náuseas, vômitos, fraqueza, anorexia e desidratação.

Em ambos os casos, exames laboratoriais podem ser necessários para melhor investigação, diagnóstico e conduta médica ou nutricional. Geralmente, os exames solicitados são dosagem de vitamina D (ou calcidiol ou 25 hidroxicolecalciferol), sendo que o 25 (OH)D é o mais recomendado por representar a forma circulante de maior quantidade no sangue. Devem ser considerados os seguintes valores de referência:

  • Deficiência: valores menores ou iguais a 20 ng/mL;
  • Suficiente: valores iguais ou acima de 30 ng/mL.

Suplementação

De acordo com Rosemary, os grupos de maior atenção e que podem precisar de suplementação de vitamina D são idosos com histórico de quedas e fraturas, pessoas com quadro de raquitismo, osteomalácia, osteoporose, fibrose cística, doenças inflamatórias intestinais, doença de Crohn, insuficiência renal ou hepática e hipoparatireoidismo, obesos, gestantes, lactentes e pós-bariátricos. “Também devemos ficar atentos ao uso de alguns medicamentos (como anticonvulsivantes, glicocorticoides, antifúngicos, antirretrovirais, colestiamina e orlistate) e a presença de doenças (como granulomatomas e linfomas), que podem interferir no metabolismo da vitamina D”, acrescenta.

O ideal é que a suplementação seja realizada conforme prescrição e orientação de profissionais de saúde que tenham competência para fazer uma avaliação criteriosa e individualizada do paciente. Diante da vasta oferta do mercado, o profissional também precisa orientar sobre a escolha de um suplemento de boa qualidade.

Rosemary destaca que é notável que estamos vivenciando um aumento de casos de hipovitaminose, inclusive em países tropicais como o Brasil; e que a pandemia da Covid-19 trouxe mais preocupação nesse sentindo, pois as pessoas passam mais tempo reclusas em casa e sem contato com o sol. “Sabemos da importância da vitamina D para o sistema imunológico, porém, isso não pode ser desculpa para o uso de suplementação de forma indiscriminada e sem orientação. É importante a conscientização de que o excesso de vitamina D também pode ser danoso à saúde”, finaliza a nutricionista.

Referências

Grupo NotreDame Intermédica com colaboração da nutricionista Rosemary Neves Assis, e informações dos sites PedMed e Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. – acesso em 16/07/2021.

Responsável pelo Conteúdo:
Dr. Rodolfo Pires de Albuquerque
CRM: 40.137
Diretor Médico do Grupo NotreDame Intermédica

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