O glúten faz mal à saúde?

O glúten é uma combinação de proteínas vegetais (gliadina e glutenina) encontradas no trigo, na cevada e no centeio, por exemplo. Devido à sua estrutura, contribui para dar elasticidade e resistência a alguns alimentos, por isso, tornou-se o ingrediente-base na produção de pães, massas, biscoitos e bolos. Aliás, está aí um segredo: diminuir o consumo de glúten significa diminuir a ingestão de carboidratos, o que, consequentemente, leva ao emagrecimento.

Que saber mais mitos e verdades sobre essa proteína tão presente na mesa dos brasileiros? Acompanhe a seguir as respostas a algumas dúvidas.

1. O glúten faz mal à saúde?

Não existem indícios em pesquisas ou estudos científicos de que o consumo dessa proteína prejudique o funcionamento do organismo em indivíduos normais e saudáveis. A indicação é a de que essa proteína não deve ser consumida por pessoas celíacas ou intolerantes a ela.

2. Em quais tipos de alimentos o glúten está presente?

Ele está presente em alguns cereais, como farinha de trigo, aveia, centeio e cevada, e no malte. A lista de alimentos industrializados que tem o glúten como ingrediente é longa: desde bolos, biscoitos, massas, pães e cervejas até molhos prontos para salada, sorvetes, pizzas, embutidos etc.

Boa parte dos alimentos industrializados contém trigo em sua composição, o que torna a dieta mais restritiva para quem não pode ou não quer consumir glúten. Além disso, no processo de fabricação, pode ocorrer contato dos alimentos com essa proteína, por isso, é muito importante ler as informações contidas nas embalagens dos produtos. Para ajudar nesta tarefa, a legislação brasileira determina a obrigatoriedade das empresas de identificar nos rótulos de forma clara a presença, ou não, de glúten em todos os alimentos industrializados.

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3. Como o glúten age no nosso organismo?

Quando consumido dentro de uma dieta equilibrada e por pessoas que não apresentam intolerância, ao chegar no intestino o glúten ajuda no crescimento de bactérias do bem que auxiliam no processo de digestão.

Em pessoas com doença celíaca, a ingestão de alimentos que contenham glúten pode alterar a permeabilidade intestinal por conta do processo inflamatório que ocorre no intestino delgado.

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4. A dieta livre de glúten ajuda no emagrecimento?

As maiores fontes de glúten são alimentos geralmente ricos em carboidratos – como pães, biscoitos, bolos e massas – e que, se consumidos em excesso, são armazenados no corpo em forma de gordura. Portanto, a exclusão de alimentos que contenham o glúten pode promover o emagrecimento não necessariamente pela exclusão desta proteína, mas pela ingestão de menos carboidratos e menos calorias.

5. Existem alimentos que podem substituir o glúten?

Existem diversos tipos de farinhas – por exemplo, de arroz, coco e amêndoas –, porém a maior dificuldade em substituir a farinha de trigo fica por conta da textura que o glúten confere às massas. Algumas alternativas são utilizar polvilho, realizar um mix com outros tipos de farinha e até acrescentar tubérculos como mandioca, mandioquinha, salsa e inhame para melhorar a textura das massas.

6. Quais são as formas mais saudáveis de consumo de glúten?

O consumo de alimentos ou produtos que contenham glúten deve estar inserido dentro de um contexto de alimentação saudável e equilibrada, priorizando as versões in natura e integrais ao invés de alimentos processados.

7. Qual a diferença entre doença celíaca e intolerância ao glúten?

A doença celíaca é autoimune e desencadeia um processo inflamatório no intestino quando ocorre o contato com o glúten. Esse processo inflamatório gera alterações na mucosa intestinal, interferindo na absorção de nutrientes e levando a carências nutricionais. Na intolerância ao glúten não existe o componente autoimune e, sim, um processo relacionado à má-digestão do glúten, que pode trazer desconforto abdominal, mas não irá interferir na absorção de nutrientes.

8. Algumas doenças podem piorar com o consumo de glúten?

Em pessoas celíacas, por conta da interferência provocada na absorção de nutrientes, é possível ocorrer carências nutricionais, como a anemia, e ainda ocasionar dermatites, lesões na boca, cansaço e dor nas articulações. Alguns estudos relacionam o glúten com câncer intestinal, desnutrição e osteoporose.

 

Responsável pelo Conteúdo:
Dr. Rodolfo Pires de Albuquerque
CRM: 40.137
Diretor Médico do Grupo NotreDame Intermédica