Os riscos do câncer de boca

É importante prevenir-se contra a doença adotando hábitos saudáveis e procurar o dentista ou o médico ao notar sinais suspeitos

Tabagismo, consumo excessivo de bebida alcoólica, vírus HPV e lesões provocadas por próteses mal ajustadas ou dentes fraturados são alguns fatores de risco para o câncer de boca. Por isso, é fundamental atuar preventivamente em relação a esses fatores e realizar o autoexame, de tempos em tempos, para verificar se há sinais suspeitos da doença, conforme recomenda a Dra. Jaqueline de Carvalho Ferreira, coordenadora da Área de Odontologia Preventiva do Grupo NotreDame Intermédica. A seguir, leia a entrevista.

O que é o câncer de boca e quais os fatores de risco?

Dra. Jaqueline - O câncer bucal é um tumor maligno que pode acometer lábios, bochechas, língua, assoalho bucal gengivais, céu da boca, ossos maxilares e glândulas salivares. Segundo o INCA (Instituto Nacional do Câncer), devem ser diagnosticados 15,5 mil novos casos no Brasil, em 2016. Entre os principais fatores de risco estão o tabagismo (cigarro, cachimbo, charuto) e o consumo de bebidas alcoólicas. Outras causas são a própria genética, ou seja, antecedentes familiares, a exposição ao sol sem a devida proteção e os traumas ou as lesões provocados por próteses mal ajustadas ou por dentes fraturados, além do vírus HPV.

Quais as principais maneiras de prevenir a doença?

Dra. Jaqueline - Evitar ou consumir com moderação as bebidas alcoólicas, não fumar, usar protetor solar nos lábios e, ao perceber algum problema nos dentes ou próteses que estejam provocando ferimentos, deve-se procurar o dentista ou o médico. Além disso, é importante vacinar meninos e meninas contra o vírus HPV antes de iniciarem a vida sexual. Em relação à prática de sexo oral, essa só deve ser feita com uso de preservativo, pois as estatísticas apontam que cerca de 25% dos casos de câncer de boca estão associados à contaminação pelo vírus HPV. É recomendável fazer, também, o autoexame, manter uma alimentação equilibrada, controlar o peso corporal e praticar atividade física, pois um organismo saudável fica menos suscetível à doença.

Como se faz o autoexame?

Dra. Jaqueline - Diante do espelho, a pessoa deve observar os lábios e as partes internas da boca (língua, céu da boca, bochecha, gengivas, assoalho da boca) para identificar algum sinal suspeito, como, por exemplo, manchas brancas ou escuras, caroços, inchaço, alguma parte adormecida, ferimentos que não cicatrizam num período de 15 a 20 dias. Também é importante apalpar o pescoço e embaixo do queixo para verificar se há caroços. Ao notar qualquer um desses sinais, é necessário procurar o dentista ou o médico, que farão um encaminhamento a um especialista para uma investigação mais detalhada. Vale destacar que, em fase inicial, o câncer bucal não dói; quanto mais cedo for diagnosticada a doença, maiores as chances de sucesso no tratamento.

Como é o tratamento para o câncer bucal?

Dra. Jaqueline - É semelhante ao de outros tipos de câncer: com cirurgia para a remoção do tumor e, se necessário, outros procedimentos, tais como a radioterapia e quimioterapia. O tratamento é multidisciplinar e envolve oncologista especializado em cabeça e pescoço, dentista e outros profissionais que ajudarão no restabelecimento do paciente, entre eles fonoaudiólogos e dentistas protesistas, que atuação na recuperação de eventuais sequelas.

 

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