Dentes bonitos e saudáveis na terceira idade

Visitar anualmente o dentista e manter boa higiene bucal são hábitos fundamentais em todas as fases da vida, inclusive, na terceira idade

 

Com o envelhecimento, é inevitável a perda dos dentes e, consequentemente, o uso de próteses ou implantes?

Dra. Jaqueline - Ao contrário. Com os cuidados adequados, os dentes de uma pessoa podem durar a vida inteira.

 

Quais são os principais cuidados com os dentes para quem já passou dos 60 anos?

Dra. Jaqueline - Independentemente da idade, é essencial visitar o dentista todos os anos, mesmo que não tenha qualquer problema aparente nos dentes. Além disso, é necessário escová-los com creme dental com flúor e passar o fio dental, no mínimo, três vezes por dia, após as refeições. Pessoas com mais de 60 anos devem ficar atentas a questões específicas relacionadas à perda óssea. As mulheres, por exemplo, apresentam maior risco de perda óssea no período da menopausa devido às mudanças hormonais, que podem provocar uma rápida queda dos níveis de cálcio.

 

A perda óssea na arcada dentária ou mandíbula apresenta sintomas?

Dra. Jaqueline - Na fase inicial, a perda óssea não apresenta sintomas, mas é possível diagnosticar precocemente o problema com a realização de uma radiografia panorâmica. Se a perda óssea já for significativa, o paciente pode apresentar sangramento e retração de gengiva, além de mobilidade dental. Em geral, o problema é tratado com reposição de cálcio e indicação de dieta específica. Em quadros mais severos, o paciente pode ter periodontite, que é uma inflamação e infecção dos ligamentos e ossos que dão suporte aos dentes.

 

Em relação à saúde bucal, quais outras medidas são importantes para uma pessoa com mais de 60 anos?

Dra. Jaqueline - É muito importante manter uma dieta equilibrada, rica em vegetais, cereais e outros alimentos que estimulem a mastigação. A adoção de uma alimentação mais pastosa, fato comum entre as pessoas idosas, inibe a mastigação, responsável, entre outros aspectos, por incentivar a produção das glândulas salivares. Por essa razão, muitos idosos se queixam da sensação constante de boca seca. Também é preciso ingerir bastante líquido ao longo do dia.

 

Idosos com doenças crônicas precisam redobrar a atenção caso façam uso de medicamentos contínuos?

Dra. Jaqueline - A boca de idosos com doenças crônicas, que tomam medicação de uso contínuo, pode ser acometida pelos efeitos colaterais desses tratamentos. Entre eles, boca seca, alteração no paladar e sangramento da gengiva. Nesse sentido, o odontogeriatra é o profissional mais indicado para orientá-lo em relação às alternativas que amenizem esses desconfortos.

 

E para o idoso que já usa prótese dentária ou implante, quais são suas recomendações?

Dra. Jaqueline - A higiene de próteses removíveis deve ser muito cuidadosa e realizada, no mínimo, três vezes por dia, após as refeições, com escovas e cremes dentais específicos. Não se deve usar a mesma escova para a higiene dos dentes naturais e da prótese. Para os dentes, a escova deve ter cerdas bem macias; para próteses, precisam ser maiores e com cerdas mais duras. Outra recomendação é nunca dormir com a prótese. Ela deve ser escovada e permanecer durante a noite de molho, em água preparada com pastilha efervescente adequada a esse fim.

 

É necessária uma manutenção constante da prótese?

Dra. Jaqueline - A cada cinco anos, mesmo que não apresente qualquer problema ou desconforto, a prótese deve ser avaliada pelo dentista para uma eventual troca ou ajuste. Implantes também devem ser escovados, pelo menos, três vezes por dia e, além da escova comum, vale utilizar as do tipo interdental ou unitufo, ideais para alcançar os espaços ao redor do implante.

 

Por que a avaliação da prótese a cada cinco anos é importante?

Dra. Jaqueline - Com o tempo, a boca vai se modificando devido à perda óssea, por exemplo, e a prótese precisa sempre estar bem ajustada para não machucar e causar lesões na região. O mesmo vale para próteses novas, pois, diferentemente do que muitos acreditam, não pode machucar a boca, mesmo no período de adaptação do paciente.

 

Leia mais sobre o tema na Cartilha Saúde Bucal 

 

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